A Vida Simples

 Acordo antes de tudo ganhar velocidade. Não é por disciplina nem por virtude. É só o momento em que o silêncio me encontra e eu ainda não fui puxado para fora de mim. Fico ali um instante, a sentir o corpo acordar, como quem confirma que ainda existe.

Saio para a rua sem pressa. O mundo já começa a acelerar, mas eu não. Caminho no meu ritmo, aquele que não exige nada além de estar presente. Às vezes penso se devia querer mais, correr mais, perseguir alguma coisa que pareça grande. Mas essa ideia passa rápido. Não me chama.

O trabalho ocupa o dia. Não é especial. Não é admirado. Não é o tipo de coisa que alguém usa para se definir. Mas é o que faço. E, enquanto faço, penso. Penso no que deixei para trás, no que nunca quis, no que não preciso de provar. Penso no barulho que os outros carregam e no silêncio que eu escolho.

Vejo pessoas a passar, sempre apressadas, sempre carregadas de metas. Eu observo, não por curiosidade, mas porque me lembro de que já tentei viver assim. Não funcionou. Não para mim. Há um ponto em que percebi que correr não me levava a lugar nenhum — só me afastava de mim.

No fim do dia, sento-me. Não para procurar respostas profundas. Só para deixar que o corpo pare. A luz muda devagar. A respiração abranda. E eu sinto que, apesar de tudo, estou onde preciso de estar.


A minha vida é pequena. Mas é minha. E é escolha.

Escolha de não entrar no jogo. Escolha de não competir. Escolha de não me perder.

Aqui, no simples, no cru, no suficiente, encontro algo que não consigo encontrar em mais lado nenhum: um lugar onde posso finalmente ouvir-me.

Abraço amigos

Francisco

P.S. O que quero alcançar não é grandeza. É presença. É clareza. É paz.

       Continuo no caminho... da auto descoberta



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