Wing Chun e o Taoismo têm uma relação interessante — não é uma ligação direta e formal, mas existe uma afinidade filosófica profunda que influenciou a forma como o Wing Chun evoluiu e é praticado. No treino de Wing Chun, o Taoismo não aparece como teoria abstrata. Ele surge nos detalhes que fazem a técnica funcionar. Surge quando o praticante percebe que força bruta não resolve, mas estrutura resolve. Surge quando descobre que relaxar não é fraqueza, é estratégia. O princípio taoista de não forçar transforma-se, no tatame, em não empurrar quando o outro empurra. Em vez disso, sente-se a pressão, ajusta-se o ângulo, deixa-se a energia passar. É simples, mas não é fácil. É pragmático, porque funciona. O equilíbrio entre Yin e Yang aparece na postura: o corpo está solto, mas não mole; firme, mas não rígido. A energia flui porque não encontra bloqueios internos. O golpe sai rápido porque não há tensão desnece...
A sociedade moderna cansa. Exige mais do que o corpo e a mente conseguem oferecer, empurra-nos para ritmos que não respeitam a nossa natureza e dispersa-nos em estímulos constantes. O Wing Chun, pelo contrário, equilibra. Recentra o praticante no essencial, devolve-lhe a capacidade de sentir o próprio corpo e de habitar o momento presente. A sociedade moderna dispersa. Fragmenta a atenção, quebra a profundidade e transforma a mente num campo de ruído permanente. O Wing Chun centra. Ensina a alinhar intenção, estrutura e respiração, a regressar ao eixo interno onde tudo se organiza e ganha clareza. A sociedade moderna acelera. Impõe urgência, velocidade e produtividade como se fossem virtudes absolutas. O Wing Chun aprofunda. Convida à lentidão consciente, ao gesto preciso, ao treino que não procura quantidade,...