Há dias em que a mente não avança. Não porque falte força, nem porque falte vontade — simplesmente porque tudo dentro de nós parece coberto por uma névoa fina, persistente, que embacia cada pensamento. Nesses momentos, não adianta empurrar. A mente turva não se abre à força, tal como a água agitada não fica clara por ordem. Quanto mais tentamos “pensar melhor”, mais denso fica o nevoeiro. Com o tempo, aprendi que a turvação não é um erro. É um estado. Um clima interno. Tal como o céu não é menos céu quando está nublado, também nós não somos menos nós quando não conseguimos ver com nitidez. A mente turva pede outra coisa: pede pausa, pede suavidade, pede que deixemos de lutar contra ela. Às vezes basta um gesto simples — levantar os olhos do ecrã, sentir o ar a entrar, ouvir o som mais distante da rua. Outras vezes é preciso caminhar um pouco, deixar o corpo mover o que a cabeça não consegue organizar. E há dias em que não há clareza nenhuma. E está tudo bem. Porque a névoa não ve...
Numa das minhas caminhadas surgiu-me uma pergunta simples, mas profunda: como encontrar a paz interior? A dúvida acompanhou-me durante o percurso, e foi então que decidi procurar respostas através do Taoísmo. Percebi que, segundo o Tao, encontrar paz não é acrescentar mais nada à vida — é desaprender , retirar o excesso, deixar cair o que pesa. Vivemos num mundo que nos pede para moldar tudo: a imagem, a carreira, o futuro. Mas Lao Tsé lembra-nos que a verdadeira serenidade nasce quando regressamos ao estado natural, ao “bloco de madeira não lapidado”, onde nada precisa de ser forçado. Criada por IA No ritmo acelerado do dia a dia, confundimos muitas vezes força com esforço. Achamos que lutar contra a corrente nos leva mais longe. O Taoísmo mostra o contrário: a paz surge quando deixamos de resistir e começamos a usar a própria corrente a nosso favor . No quotidiano, isto traduz-se em saber o que merece a nossa energia e o que apenas pede aceitação. Às vezes...